4 na praia

4 na praia

quinta-feira, 24 de abril de 2014

os Super heróis também se cansam.... (segundo o H.)



Hoje perguntei (como de costume) à educadora como tinha corrido o dia ao que contou um desabafo do H.

"Estou farto de ser um super herói.... Estou cansado de ser forte!"
Ela conta que se segurou para não se desmanchar a rir, desvalorizando tão pesada carga do meu pequeno herói. Ele lá recuperou o fôlego e foi brincar... Passado algum tempo "comunicou-lhe" que já era super herói outra vez. 

... Estou mais descansada. 
Sabes querido H., realmente não é nada fácil ser sempre forte.
Partilho a tua necessidade de parar, admitir o cansaço, recuperar o fôlego, e claro... continuar o papel de reconhecido mérito mas de grande esforço.
(Que imodéstia a minha! Ter-me na mesma conta que o teu super herói....)
Mas há certos dias, querido H., que sinto que faço um esforço um pouco sobre humano... que por vezes, é um trabalho duro, solitário, com um reconhecimento adiado (refiro-me ao de um super herói). Mas depois, olhos para ti, para os teus manos, e vejo que realmente, vocês são tão maravilhosos que só podem ter qualquer coisa de muito especial, são vocês o meu ato heróico e qualquer esforço feito por vocês será sempre pequeno para o que vos desejo.

Querido H. nunca deixes de aspirar a ser um herói. 
Mesmo que te canses imenso e que precises de uns momentos para parar!
Luta sempre pelo que realmente acreditas.
Defende sempre os que amas, os mais fracos, os que te rodeiam. 
Tenta sempre ser superior à pequenez dos outros e tenta superar-te todos os dias. 
Evoluí. Esforça-te por crescer no espírito, na mente e no coração.
Sê gentil e carinhoso. Fá-lo gratuitamente.
Ajuda quem se cruza contigo. Sê generoso.

Só o teu sorriso já faz milagres neste coração de mãe. 
Serás sempre um super herói para mim. <3



segunda-feira, 14 de abril de 2014

Aberta a época balnear!!!!


Finalmente! Brindou-nos o sol com a força necessária para tirar a roupa e desenterrar as pás e baldes do baú da garagem. Depois é só carregar os chapéus, toalhas, livros, brinquedos, mudas de roupa, fraldas, águas, moedas para os gelados, sumos, sandes, fruta, máquina fotográfica, chinelos, pranchas, bóias, etc.
Acho que entre uma ida à praia e 15 dias no Algarve, a diferença é uma mochila com 4 t-shirts, 2 calções e 1 escova dos dentes para cada um!
Ainda assim, faz parte do meu elaborado "plano de fitness"... carrega-se tudo até à praia (mais os bebés), desarruma-se tudo, despe-se as crianças, faço 5 sessões de massagens corporais (cubro-os de protector dos pés à cabeça!), várias idas à beira mar para carregar os baldes de àgua, 3 idas ao wc, 1 ida aos gelados, várias idas à agua (umas para "mergulhares comigo", outras para "me dares a mão", outras porque "tenho mesmo que te tirar os 3kg de areia de cima antes de poderes comer", outras para "me dares colo")
uma ida "ás rochas" para ver os "bichinhos" que implica sessões de equilibrismo com bebés no colo, dar a mão a quem pode escorregar e correr a ver "aquilo-que-encontrei" (mas que nunca chego a tempo).
Ainda assim... adormeço a pequena C. no colo, treino a leitura com o F. e ajudo o H. a vencer o medo das ondas... e como que por magia há um período de tempo em que todos estão entretidos a fazer uma construção de pedras e areia que atrai mais umas crianças da "vizinhança" e eu... de mansinho... disfarçadamente... pego no meu livro, que carrego sempre sem grandes expectativas, e estou tranquilamente a relaxar (assim como fazem os crescidos!).
Vou olhando a cada 3 linhas (sem excepção porque sou levemente paranóica com os "acidentes" na praia)
mas consigo ler 100 páginas (uau!)
Penso que, entre o ambiente, a tranquilidade, os miúdos a brincarem tão saudavelmente... isto é muito próximo da felicidade pura.
Um aceno e uma amiga que inesperadamente se encontra: que bom! Uma hora de companhia de adulto, desabafos, historietas, comentários, trocas de ideias... ainda bem que o tempo se estica para estar ea "cultivar" amizades, a partilhar este cenário tão vivo e tão energizante!
Nem antecipo o carrego de regresso, os quilos de areia no carro, o atropelo dos banhos com as birras de cansaço... sinto-me de baterias carregadas. Suspeito que tenha uma capacidade qualquer foto-sintética...

sábado, 12 de abril de 2014

Elogios a "adoráveis" criancinhas

Há criancinhas tão "adoráveis" que temos dificuldade em falar sobre elas, às vezes até com os pais!
"Então ele portou-se bem?" , " O que é que achaste do bebé da minha prima?"
Nunca se diz que uma criança é má, feia ou mal-educada....
Os comentários de "bom tom" podem ser melhor entendidos quando se colecciona ao longo dos anos o dicionário que permite descobrir a encriptação destes eufemismos...
Assim, caríssimos, deixo-vos alguns dos elogios que não vão querer que sejam feitos aos vossos filhos:

"tem uma beleza exótica" - é feio
"tem uma cara engraçada, diferente" - é esquisita, feia
"é determinado" -  teimoso
"é persistente" -casmurro
"tem personalidade" - tem mau feitio
" é cioso das suas coisas" " ou não está habituado a partilhar"- é egoísta
"não se deixa ficar" - é respondão
"é cheio de energia" - não pára quieto
"é muito curioso" - não se cala com perguntas
"sabe defender-se" - bate nos outros
"é um pouco aéreo" -  é um cabeça no ar
"gosta de testar as pessoas" - é malcriado
"é um bocado reservado" - é antisocial
"é um bocado arisco" - é um rebelde
"não gosta muito de beijos" - não tem maneiras (nem cumprimenta as pessoas)
"é um pouco lento a perceber" - é burro que nem uma porta
"é um pouco absorvente" - é um chato
"sabe o que quer" - é birrento
"acabou de acordar" - birrento, mal-criado
" está habituado a ter atenção" - é um mimado
"tem características de líder" - tem a mania que manda
"gosta de inventar histórias" - é mentiroso

enfim... há uma lista infindável de pequenos arranjos linguísticos para minimizar as terríveis características das adoráveis  criancinhas com que nos cruzamos, por vezes até as nossas!






terça-feira, 8 de abril de 2014

O que é que eu quero ser...Eu, mãe, quando "for grande"...

Dou por mim muitas vezes a perguntar-me sobre a minha função na vida, o meu lugar na Humanidade.... Sim, é incrível onde é que se arranja tempo para pensar em questões destas  que envolvem inúmeras disciplinas desde a simples Geografia, à Filosofia, Metafisica, Teologia, Antropologia... e muitas outras "ias".
Penso no meu papel de Mãe, porque as angustias e ansiedades da maternidade sempre nos fazem por-nos em causa (e ainda bem), mas também no impacto que a minha existência tem na vida das outras pessoas. Acho que posso considerar que este é verdadeiramente o meu lado mais egocêntrico e egoísta. É achar que realmente em alguma fase, em algum momento da vida das pessoas que se cruzaram comigo, tenha tido algum significado(de preferência positivo)
Penso nas pessoas que me marcam, que me tocaram ainda que por um segundo... nas pessoas que se cruzam comigo no dia a dia, tento estar atenta... Desde as personagens da História: heroínas como a Irena Sendler, santas como a Madre Teresa, rainhas, personagens fictícias ou reais, gente inspiradora... até ao pessoal do Pingo Doce que tenho em frente de casa e funciona quase como "despensa" (visto lá ir tantas vezes que só falta aparecer de pijama às 2h buscar um chá!) e que me recebem sempre com um sorriso, cumprimentam os meus filhos, perguntam pelos que não estão, afagam-lhes os cabelos... 
Passando pela família que são aqueles que, no mundo, mais importam, pelos pais, pelos filhos, pelos amigos mais chegados e pelos que vejo uma vez por ano ou que já não falamos há meses, os meus colegas da faculdade, da escola... Será que se eu nunca tivesse existido, teria mudado um bocadinho que fosse a história de cada um? Será que se lembrarão de mim no dia em que deixar de existir? ( bem... o Jerónimo Martins de certeza que vai estranhar!)
Quando leio coisas como "Sê como gostarias que os teus filhos se tornassem", sempre me questiono... penso no que posso melhorar.... e esforço-me! Ainda que nem sempre o consiga!
Dei por mim há dias a dizer "cada vez tenho menos mau feitio" e concordaram comigo... pessoas que me conhecem mesmo bem... e fiquei feliz... estas pequenas mudanças são tão difíceis de serem sentidas, reconhecidas, identificadas....
Agora, que estou numa fase de encruzilhada, cheia de caminhos e decisões, dou por mim a pensar quem é que eu, a mãe, quero ser "quando for grande"... a pensar no que é que realmente me faz feliz, no que me move, no que me realiza, no que gosto de fazer.... no que me quero tornar, no que quero ser lembrada.
Nunca chego a uma conclusão final... e ainda bem! Mas vejo tudo com uns olhos diferentes. Vejo que a "luz do fundo do túnel" é imensa e que qualquer caminho que tome há-de lá dar enquanto não lhe perder o sentido. Sei que quero ser feliz e fazer feliz quem encontrar. Quero ser sempre uma "eu" melhor. Tentar pelo menos É um princípio....

segunda-feira, 7 de abril de 2014

O que é Morrer? II

Depois de encontrar o F. soluçando uma noite destas perguntei-lhe o que se passava.
- Estou a pensar em coisas más.... tipo morrer.
- Bem... e porquê? A morte é uma coisa normal, é o ciclo da vida, é o que acontece a todos os bichos e seres vivos e pessoas... (tentando manter a coisa a nível biológico...)
- Mas... quando nós morremos acabamos, acaba-se tudo! Nunca mais vemos nada! Nem ninguém!
- Bem... há quem acredite que quando morremos vamos para o céu, outros acreditam que voltamos a viver noutro corpo, até no de um bicho! (tentando desdramatizar....)
- Mas o sol é uma estrela não é? Então... quando o sol explodir o céu também deixa de existir e nós desaparecemos para sempre!
(ok... passas a jogar GTA e Mafia em vez de veres o National Geographic antes de ir para a cama!)