Penso no meu papel de Mãe, porque as angustias e ansiedades da maternidade sempre nos fazem por-nos em causa (e ainda bem), mas também no impacto que a minha existência tem na vida das outras pessoas. Acho que posso considerar que este é verdadeiramente o meu lado mais egocêntrico e egoísta. É achar que realmente em alguma fase, em algum momento da vida das pessoas que se cruzaram comigo, tenha tido algum significado(de preferência positivo)
Penso nas pessoas que me marcam, que me tocaram ainda que por um segundo... nas pessoas que se cruzam comigo no dia a dia, tento estar atenta... Desde as personagens da História: heroínas como a Irena Sendler, santas como a Madre Teresa, rainhas, personagens fictícias ou reais, gente inspiradora... até ao pessoal do Pingo Doce que tenho em frente de casa e funciona quase como "despensa" (visto lá ir tantas vezes que só falta aparecer de pijama às 2h buscar um chá!) e que me recebem sempre com um sorriso, cumprimentam os meus filhos, perguntam pelos que não estão, afagam-lhes os cabelos...
Passando pela família que são aqueles que, no mundo, mais importam, pelos pais, pelos filhos, pelos amigos mais chegados e pelos que vejo uma vez por ano ou que já não falamos há meses, os meus colegas da faculdade, da escola... Será que se eu nunca tivesse existido, teria mudado um bocadinho que fosse a história de cada um? Será que se lembrarão de mim no dia em que deixar de existir? ( bem... o Jerónimo Martins de certeza que vai estranhar!)
Quando leio coisas como "Sê como gostarias que os teus filhos se tornassem", sempre me questiono... penso no que posso melhorar.... e esforço-me! Ainda que nem sempre o consiga!
Dei por mim há dias a dizer "cada vez tenho menos mau feitio" e concordaram comigo... pessoas que me conhecem mesmo bem... e fiquei feliz... estas pequenas mudanças são tão difíceis de serem sentidas, reconhecidas, identificadas....
Agora, que estou numa fase de encruzilhada, cheia de caminhos e decisões, dou por mim a pensar quem é que eu, a mãe, quero ser "quando for grande"... a pensar no que é que realmente me faz feliz, no que me move, no que me realiza, no que gosto de fazer.... no que me quero tornar, no que quero ser lembrada.
Nunca chego a uma conclusão final... e ainda bem! Mas vejo tudo com uns olhos diferentes. Vejo que a "luz do fundo do túnel" é imensa e que qualquer caminho que tome há-de lá dar enquanto não lhe perder o sentido. Sei que quero ser feliz e fazer feliz quem encontrar. Quero ser sempre uma "eu" melhor. Tentar pelo menos É um princípio....
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